Crise na Arquitecturaa
DA CRUZ AO CARIMBO
Quem diria, há crise na arquitectura em Portugal! E, a culpa é das obras públicas!
Quem diria, há crise na arquitectura em Portugal! E, a culpa é das obras públicas!
Espantem-se, segundo o Jornal Público de hoje, "A crise chegou à arquitectura e os
ateliers já estão a despedir". O artigo, para além da novidade, compila relatos de
certos arquitectos muito preocupados com a situação actual da profissão.
Grave. Pois, segundo eles, não há investimento público e há atrasos no
pagamento das obras públicas.
E, como alguém no artigo diz, se "atrás do trabalho dos arquitectos vai a construção civil e os componente" - e não afinal, como eu pensava, atrás da construção civil e dos componentes, os arquitectos" -, poderemos vir a lamentar não só a perda de know-how de Pedro Balonas como de todo o maravilhoso mundo da construção civil portuguesa.
Ironias à parte, é tempo de parar com esta brincadeira, e sermos claros. O mundo da construção civil é a coisa mais suja que há em Portugal. Foi, é, com ou sem crise. E, não digo "depois da Política", visto que a construção e política são a mesma coisa, uma paga-se a outra, e vice-versa, seja na forma de legislação, cunha ou concurso.
O mundo Universitário facilita hoje a mão-de-obra intelectualmente permissiva, o planeamento territorial é dominado por lobbies, o Urbanismo é um concentrado de tráfico de influências, a os concursos para obras Públicas são uma brincadeira. Veja-se o que aconteceu, à luz do dia, no "Parque Escolar", e basta.
O mundo Universitário facilita hoje a mão-de-obra intelectualmente permissiva, o planeamento territorial é dominado por lobbies, o Urbanismo é um concentrado de tráfico de influências, a os concursos para obras Públicas são uma brincadeira. Veja-se o que aconteceu, à luz do dia, no "Parque Escolar", e basta.
A encomenda privada? Existe, em quantidade suficiente, até mesmo para todos. Mas dependente das câmaras municipais e suas práticas. Logo, neste caso, tende a haver muito trabalho para muito poucos, e quase nada para a maioria.
Arquitectura é isto, política. E tal como esta, o nível da Arquitectura no nosso país é baixíssimo. Direi mesmo medíocre. E, não vale a pena falar de Sizas e Soutos, estes são apenas o milho no passeio dos Patos Bravos e Pavões. Só sobra areia para os olhos.
A Arquitectura, para os que nunca tiveram "amigos", está em crise há décadas. Existe uma proliferação de cursos universitários obscena e sem controlo real da sua qualidade; um número de arquitectos demasiado elevado para o reduzido tamanho do país, quer geográfico quer populacional; demasiada concorrência desleal e profissionais sem ética profissional, assinando de cruz, monopolizando e explorando estagiários ingénuos sem vencimento; demasiados atritos entre os diferentes técnicos, desenhadores a fazer arquitectura, engenheiros a fazer arquitectura, constructores a fazer arquitectura, políticos a fazer arquitectura... e depois?
Quantos portugueses compreendem o que é Arquitectura, e/ou o valor do nosso trabalho? Quantos arquitectos estão dispostos a isso?
4 Reactions:
muito bem Francisco
parabéns pela posta
Bom dia. Já não vinha aqui espreitar há algum tempo, até porque pensei que isto estava morto. Esse artigo é mais da mesma treta. Parece que a crise chegou agora ao amigos do público, a uma certa arquitectura do "mainstream" que se afirmou e prosperou com o boom da construção civil, e que, de certo modo, é novamente uma "Arquitectura de regime" - sou que agora o regime é o da boyzada, ignorante e tecnocrata. Claro que não meto aqueles senhores todos no mesmo saco: muitos os diferencia para além de serem de gerações diferentes. Mas uma coisa que estou farto de dizer e repito é que trabalho não falta, basta olhar em redor. Coisas que se fizeram em muitos países da Europa há 50 anos continuam cá por fazer. Não é é nada do que tem sido feito (e mal, na maior parte dos casos).
Morto não está, mas está rastejante :)
Trabalho não falta não, mas há quem coma tudo :)
Obrigado pelas visitas
Excelente !!
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