Relatório do Tribunal de Contas (TC): "Contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara, foi um negócio ruinoso"

In Jornal o "Sol":

Como era de esperar...

"O relatório final da auditoria do Tribunal de Contas (TC) ao contrato de exploração do terminal de contentores de Alcântara, em Lisboa – feito entre o Governo, a Administração do Porto de Lisboa (APL) e a empresa Liscont, do grupo Mota-Engil –, foi aprovado esta semana e confirma tudo o que já fora concluído pelos juízes no relatório preliminar.

O plenário dos juízes da 2.ª secção do TC, depois de ouvidos os argumentos quer da APL quer do Ministério das Obras Públicas, manteve a posição inicial de que o contrato feito com a Liscont – sem concurso público e alargando a concessão por mais 27 anos – é ruinoso para o Estado e não acautela o interesse público. E nem sequer faz uma previsão realista do negócio que serve de base ao modelo financeiro e no qual assenta todo o contrato.

«Foi um negócio ruinoso para o Estado», que «só serviu os interesses do promotor», confirmou uma fonte do Tribunal de Contas, sobre as conclusões desta auditoria.

Segundo soube o SOL, as respostas enviadas ao Tribunal pelo Governo e pela APL, para efeitos de contraditório, apenas reforçaram as conclusões negativas dos conselheiros da 2.ª secção. E, em alguns casos, até aumentaram a sua desconfiança relativamente às consequências deste contrato para os interesses do Estado.

Um dos principais problemas colocados pelos juízes do TC prende-se com o facto de não ter sido realizado concurso público para alargar o prazo desta concessão de exploração de um serviço público. O Governo optou pelo ajuste directo à Liscont, alegando que esta empresa privada faria, a suas expensas, as obras de alargamento do terminal de Alcântara, para permitir que, a prazo, o movimento de contentores atingisse o milhão por ano.

O modelo financeiro e as projecções comerciais em que assenta todo o negócio são também duramente questionadas pelo Tribunal de Contas."


Fonte:
"Alcântara - TC arrasa terminal de contentores"
[Por Graça Rosendo com Luís Rosa], in Jornal "SOL",
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=142061
Sexta-Feira, 17 de Julho de 2009, [consultado em 2009-07-17].


Let's Do It - Estonia

Swissport 09 - Ciclo de Conferências



Mais informação aqui: www.swissport2009.com

"Earth Condominium"

Tróia uma "invenção Legal"


Texto retirado do Jormal "Sol"

«Este é um dos exemplos de um projecto de interesse nacional que foi uma invenção legal para abolir a lei. Prédios construídos à beira-mar sobre dunas primárias», disse Francisco Louçã, lembrando que a aprovação do projecto foi feita pelo governo socialista de José Sócrates, um primeiro-ministro que já tinha sido ministro do Ambiente.

«O que esta lei de excepção contra a lei permitiu foi precisamente que as regras da protecção ambiental passassem a ser perturbáveis desde que o interesse económico do promotor estivesse à frente. E aí está o engenheiro Belmiro de Azevedo. Ele tinha poder suficiente, conseguiu, aqui está uma excepção. Isto não acontece noutros lugares do país. Não devia acontecer, mas aconteceu», disse.

Francisco Louçã falava aos jornalistas a bordo de uma de duas traineiras adaptadas, durante um passeio pelo estuário do Sado, onde não faltou um encontro com a comunidade residente de golfinhos (roazes-corvineiros).

O dirigente bloquista fez-se acompanhar pelo deputado Fernando Rosas e pelo cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda às eleições autárquicas para a Câmara de Setúbal, Albérico Afonso.

Para o candidato do BE à presidência do município sadino, os preços elevados (dois euros por pessoa) que estão a ser praticados desde o ano passado pela empresa Atlantic Ferries, do Grupo Sonae, nas carreiras fluviais entre as duas margens do Sado, constituem uma forma de promover uma política de «apartheid» entre ricos e pobres, afastando os mais desfavorecidos das parias de Tróia, que frequentam desde há décadas.

«Uma família de cinco pessoas, se quiser passar 15 dias em Tróia, como era habitual, gasta 300 euros só em passagens. É uma situação completamente intolerável», disse Albérico Afonso, convicto de que a política de preços da travessia do Sado visa «afastar os setubalenses na Península de Tróia».

«O aumento dos preços permitiu constituir uma espécie de apartheid na margem esquerda do Sado. E é isso que nós não queremos», disse Albérico Afonso.

A deslocalização do cais dos ferries que fazem a travessia do Sado para a zona dos fuzileiros, a cerca de 6/7 quilómetros do complexo turístico de Tróia, e o novo percurso que estas embarcações têm de fazer pela zona mais procurada pela comunidade residente de golfinhos do estuário do Sado, também mereceram duras críticas dos bloquistas.

À partida para Tróia, durante o passeio efectuado nas traineiras Moreira e Cruzeiro do Sul, o candidato do BE à Câmara de Setúbal, Albérico Afonso criticou também a intenção da maioria CDU na autarquia sadina de construir vários prédios a poucas dezenas de metros da linha de praia, junto ao novo Parque Urbano da Albarquel, no âmbito do projecto Setúbal/Polis, para a requalificação da zona ribeirinha.

Os prédios em causa constituem uma componente importante de auto financiamento do programa Polis, mas os bloquistas prometem lutar contra o projecto.

«Estes prédios, se forem construídos - e nós vamos fazer tudo para que não sejam - vão constituir uma muralha com cerca de 16 metros de altura, entre a cidade e o rio», disse Albérico Afonso.

Ps: Estive em Tróia há uns meses, e tudo aquilo, toda aquela intervenção para ricos, trata-se de uma espécie de privatização do bem colectivo de todos os Portugueses. Não só destroem um pedaço paradisíaco do País, plantando umas construções horríveis, como delimitam o seu uso ao "capital". Não percebo qual o interesse público em tal intervenção. Público salvo seja!

Fonte:
"Louçã acusa governo de ter beneficiado Belmiro em Tróia", in Jornal "SOl", http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=141038 Terça-Feira, 7 de Julho de 2009,[consultado em 2009-07-07].

Arq. Pancho Guedes. Exposição no Museu Colecção Berardo

"Muitas das ideias da minha arquitectura partem de desenhos, que são comuns aos meus quadros e esculturas. Outras são paráfrases ou citações distorcidas do trabalho e das ideias de outros artistas. Outras partem de outros tipos de imagens e visões, que me fascinam e preocupam durante um certo período de tempo, ou que estiveram sempre comigo. Acredito que os quadros, assim como todas as outras criações, crescem uns a partir dos outros, que cada artista inventa os seus próprios precursores, que há um diálogo incessante com muitos passados. […] A minha tarefa é agora patrulhar as fronteiras entre a arquitectura e a arte, para expandir os seus territórios com novas ideias e possibilidades, assinalando-as para os estudantes e para mim."

Pancho Guedes — Vitruvius Mozambicanus
[18 mai | 16 ago]

"Nesta exposição, Pancho Guedes (n. 1925, Lisboa) reúne a sua prodigiosa e original produção de desenhos, quadros e esculturas e mostra como estes contribuíram para as formas, as ideias e o espírito das muitas arquitecturas diferentes e pessoais que criou. A sua ligação com África, sobretudo com Moçambique, permitiu que Pancho se libertasse dos constrangimentos mais restritos das ideias habituais sobre a arte."


"Mais uma moedinha, mais uma voltinha"


Hoje, tal como é hábito, já há cerca de 10 anos, comprei o bilhete para o Expresso da Renex, para ir até ao Porto. Viagem que repito inúmeras vezes, desde o início dos meus estudos na imbicta, e que vou continuando a fazer por várias outras razões. Comprei o bilhete e esperei um pouco para além do horário estipulado na paragem, como também é habitual; o condutor era o habitual e o ar condicionado excessivamente sentido também. Um início de viagem como qualquer outra, augurando belas vistas sobre os mesmos montes de sempre, salpicados pelas mesmas aberrações de sempre - que aparecem sabe-se lá como -, e as mesmas curvas de sempre a transbordarem com os tão iguais stands de venda de automóveis... ou os ainda piores depósitos de lixo.

Augurava, mas logo isso se esfumou, quando insistentemente o Expresso frenou de bocadinho a bocadinho, obedecendo a um anormal número de semáforos temporários. Sim, daqueles pequenos que se colocam antes da passagem numa zona em obras. O autocarro lá parou 100 metros à frente da paragem, uns 500 metros repetiu o ritual, 2 quilómetros à frente idem, quando lá conseguimos sair do distrito de Viana do Castelo - virado de cabeça para baixo -, esbarramos com semelhantes obras no nobre território do Distrito de Braga, paragem ainda mais brusca, não fossem os arranjos do centro urbano da Portela obras profundas como anuncia o painel pomposamente colocado pelo Município de Vila Verde. Local diga-se que não passa de uma estrada nacional entre meia dúzia de casas.

Por entre camiões e "Caterpillar´s" prosseguimos viagem e passado um pouco entramos em Braga, e lá nos deparamos com mais uma espera, mais obras, mais pedra e betuminoso para ruas - iria jurar, a pés juntos pela alma do Ministro da Obras Públicas - não muito degradadas.

Com um pouco de insistência lá seguimos, entramos na auto-estrada e quando pensava que o expresso iria, agora sim, directo ao Porto, lá tivemos que fazer um desvio até Famalicão para recolher um passageiro, mais desagradável. O desvio leva 15 minutos e acreditem, o esforço para não ser projectado para fora das cadeiras é grande, curvas e contra-curvas, em quilómetros de auto-estrada rematados num túnel e pelo menos três rotundas.

Chegados ao Porto, ainda mais obras em tudo que é canto. Toneladas de betuminoso e máquinas e mais máquinas e homens para substituir pisos em condições aceitáveis, obras que mais não são que cosmética para os olhos dos eleitores.

Resumindo, o Expresso que até está mais caro, demorou mais tempo a chegar ao destino e o país ... continua desorganizado gastando dinheiro em "cosmética". Se não fosse distraído quase poderia dizer que estaríamos em ano de eleições.

PS: Santana Lopes quer mais um túnel, assim vai Lisboa
... e ainda só vamos na pré-campanha eleitoral.

Conferência de Kjetil Thorsen, Snøhetta




Conferência de Kjetil Thorsen, Snøhetta - 7 de Julho, Auditório Fernando Távora, 18 horas.
+
Exposição "Contemporary Norwegian Architecture 2000-2005"
Espaço de Exposições da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto - com o apoio da Real Embaixada da Noruega - , 7 de Julho a 31 de Agosto 2009

Será inaugurada no próximo dia 7 de Julho a esposição Contemporary Norwegian Architecture 2000-2005, incluindo obras do gabinete Snøhetta, distinguido com o Prémio Mies van der Rohe 2009 pela Ópera de Oslo e também autores da Biblioteca de Alexandria e do Pavilhão da Serpentine Gallery em Londres.

"O seu director, Kjetil Thorsen, deslocar-se-á à Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto para proferir a conferência que marcará a inauguração da Exposição, às 18 horas do dia 7 de Julho
."

A exposição comissariada por Anne Marit Lunde e Eva Madshus, apresentará ao público uma selecção de 50 das mais importantes obras da Arquitectura Contemporânea Norueguesa, construídas entre 2000 e 2005, subdivididas em cinco categorias: Transformação, Forma e Função, Símbolo e Identidade, Materiais e Construções, Contraste e Proximidade.

Serão expostas fotografias e desenhos, acompanhados por texto explicativo em inglês, sendo algumas também representadas em filme e maquetas.



Mais Informação:
Serviço de Relações Públicas e Internacionais
Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto
T: 351 22 605 71 15/03
F: 351 22 605 71 98
Email: sre@arq.up.pt


Decreto Regulamentar n.º 9/2009 de 29 de Maio


Finalmente, foi lançado, pelo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, tal como previa o novo regime jurídico dos instrumentos de gestão territorial (Decreto -Lei n.º 380/99, de 22 de Setembro), o Decreto Regulamentar n.º 9/2009 de 29 de Maio.

Decreto que revê todos os conceitos técnicos - até agora dúbios e subjectivos - nos domínios do ordenamento do território e do urbanismo a utilizar nos instrumentos de gestão territorial.

O presente decreto regulamentar evitará a actual "dispersão e imprecisão de conceitos utilizados por instrumentos de gestão territorial, nomeadamente o recurso a expressões que não são objecto de definição, a utilização do mesmo conceito com diferentes significados ou do mesmo instituto jurídico com diferentes designações, bem como a utilização de conceitos indeterminados ou incorrectos.

Situação que levava a criação de disparidades entre municípios e acarretava óbvias consequências negativas para a os técnicos e cidadãos.

Aos técnicos e até mesmo aos estudantes aconselho a leitura do decreto, para de uma vez por todas - pelo menos ao nível técnico - comunicarmos com uma mesma linguagem.

Requalificação do Terreiro do Paço. Arq. Bruno Soares






Lisboa é a capital Europeia com maior exposição solar, e com a sua "baixa" repleta de calcário nas suas construções. Situação que potencia ainda mais a sua exposição solar. E, enquanto uns criticam o projecto do arquitecto Bruno Soares, no que concerne ao desenho do chão, e os mais demagogos sobre a circulação automóvel, a mim suscita-me mais curiosidade o conforto geral da praça, a totalidade da intervenção.

Desenhos à parte, e visto que continuamos a comer , andar e descansar da mesma forma que faziam os nossos mais longínquos antepassados, só deixo uma pergunta (não retórica e sem ironias): - "não há sombra?".

Imagens do Projecto do Arquitecto Bruno Soares

St. Henry Ecumenical Art Chapel, Turku - Finlandia 2005. Arq. Sanaksenaho



Saiba mais em:
http://www.kolumbus.fi/sanaksenaho/

Portugal no seu melhor: "Sea Life" abre sem Licença


O título deste "post" pode até suscitar uma certa perplexidade, mas o certo é que é mesmo verdade; este grande equipamento, escancarado para a Avenida da Boavista e para a Marginal de Matosinhos - isto é, à vista de milhares de pessoas -, abriu sem licença.

Que as inspecções camarárias não funcionavam de todo já se sabia, que elas não funcionavam até em casos escancarados no centro da cidade também não era novidade - veja-se o caso do Shopping Cidade do Porto, construído à revelia do estipulado no PDM e cuja demolição foi já decretada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto em 2005; decisão no entanto suspensa até 2011 pela suposta eminente aprovação de um novo Plano Director Municipal que "legalizá" o edifício -, agora que esta não funcionava até mesmo em equipamentos mediáticos como um mega-aquário, surpreende-me.

É claro, que o nível a que chegou a burocracia camarária em Portugal tornou-se obsceno, e se alguém quiser ser correcto e construir algo conforme a Legislação terá que passar pelas ruas da amargura e gastar uma boa dose de paciência e saúde; os processos duram e perduram durante anos sem resolução, muitos mais ainda quando estes por capricho da Lei têm que passar pela aprovação de outros patamares burocráticos, igespar´s e afins. É assim mesmo, e por isso mesmo assim o deveria ser para todos, mas...

À boa maneira portuguesa, primeiro faz-se e depois legaliza-se.... o Sea Life Porto abriu as portas sem possuir licença de funcionamento da Direcção Geral de Veterinária (DGV) e sem o parecer do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB).

Um bom exemplo para todos os Portugueses.


Leis mais aqui.


"Home", a nossa história. Um filme de Yann Arthus-Bertrand


HOME, é um projecto global materializado num filme da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand,que foi mostrado e lançado simultaneamente no passado 5 de Junho, em mais de 50 países, Dia Mundial do Meio Ambiente.

O filme foi lançado de forma gratuita em todos os formatos - cinema, TV, DVD e Internet - com o objectivo de atingir a maior audiência possível, e deste modo apelar e convencer uma boa parte da população mundial para a responsabilidade individual e colectiva em relação ao planeta em que habitamos.

O filme mostra paisagens aéreas do mundo inteiro - 54 países -, e é umas das maiores tentativas de sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade premente de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária... real.

O FILME (COMPLETO)

Saiba mais:
http://www.home-2009.com
http://www.yannarthusbertrand.org/


"El drama europeo"


Texto de José Ignacio Torreblanca:

"Compartirán conmigo la satisfacción por la alta calidad del debate europeo que hemos podido mantener estos días. Gracias a la campaña y a los debates tengo una idea mucho más precisa de lo que va a pasar con Turquía, si finalmente será miembro o no, o de cuándo entrarán todos esos pequeños países de los Balcanes que están llamando a nuestra puerta. También tengo más clara la respuesta de Europa a la crisis económica, superando lo que hasta ahora no ha sido más que una cacofonía de planes de estímulo nacionales. Me inquietaba antes de comenzar la campaña si Europa tenía la voluntad de convertirse en un actor realmente global, capaz de sumar sus enormes recursos políticos, diplomáticos y militares en defensa de sus valores e intereses, pero ahora sé que vamos en la buena dirección. Y cómo no, estoy agradecido porque hayamos hablado de dónde trazar los límites entre liberalización y regulación, porque eso tiene consecuencias importantísimas sobre la economía, el empleo o la viabilidad de nuestros estados del bienestar. Lo más importante: que las elecciones no sólo han ayudado a que conozcamos con precisión cuál es la agenda europea para los próximos cinco años, sino que, a la vez, han ofrecido una oportunidad para que los europeos nos identifiquemos con nuestro sistema político. Fin de la ironía."

(...)

Fonte:
"El drama europeo", in ELPaís [Por José Ignacio Torreblanca], Segunda-Feira, 8 de Junho de 2009,
http://www.elpais.com/articulo/internacional/drama/europeo/elppgl/20090608elpepiint_6/Tes
[consultado em 2009-06-08].

Portugal e a Europa


Amanhã, como tem vindo a ser divulgado, e anotado pela anedótica e insipiente campanha eleitoral, serão votados por, sufrágio universal, os deputados portugueses que farão parte do próximo mapa político do Parlamento Europeu, por um período de 5 anos.

Esta instituição parlamentar, com sede em Estrasburgo e origem no na Assembleia Comum dos anos 50, representa através dos seus 785 deputados, supostamente, a população dos actuais 27 estados-membros da União Europeia, ou seja 374 milhões de cidadãos europeus.

E porquê digo supostamente?

Pois actualmente o Parlamento Europeu não passa de um irmão dos parlamentos nacionais, que em suma, pouco discutem para além da orla dos interesses partidários. Para começar, com 785 membros nada seria possível discutir se não fosse o caso, familiar seja dito, de estes se reunirem em famílias, em feudos supostamente ideológicos, que não passam de uma mera compilação de interesses politico-partidários. Em segundo plano o facto de a Comunidade Europeia ainda ser desigual, no que trata ao próprio tratamentos dos estados membros, prevalecendo não a homogeneização dos interesses e poderes mas sim a capacidade económica anti-democrática dos pesos pesados europeus, isto é dos maiores países. Mas então porquê não se reparte equitativamente os membros-deputados pelos país existentes?

Se como dizem, o bem geral é o que deve prevalecer - e não o individualismo das nações -, se caminhamos a passos largos para uma confederação, porquê se mantêm, e se aceitam políticas proteccionistas e individualistas, adoptadas por exemplo após a crise, porquê Portugal tinha direito a 24 deputados (agora 22) e a Alemanha a 99?

É certo que é um país maior, mais populoso e que produz muito mais que o nosso, mas se o interesse das decisões parlamentares é supostamente o bem da Europa, e não o bem nacional individual, não posso aceitar que cada estado membro seja tratado diferentemente, negando a própria ideia de Comunidade Europeia.

Para isso não valeria a pena, ter acabo com a designação de Comunidade Económica Europeia. Se queremos ser uma Comunidade Europeia, não poderá haver estado de primeira e de segunda.

Para além disso as funções principais do Parlamento, são reduzidas a pouco mais que ver passar o barco do Conselho e da Comissão da União Europeia e mostrar-se inoperante perante o poder anti-democrático do Banco Central Europeu, o banco central da Zona Euro, que estabelece e aplica a política monetária europeia, e em suma que controla em grande parte a nossa vida, como europeus.

E o povo vota no presidente do Banco Central? Não, e reparem que tal como acontece com o Banco Mundial, a Organização das Nações Unidas e a Organização do Tratado do Atlântico Norte, os centros decisórios europeus não são democráticos nem tão pouco imparciais.

Estamos alheios de todas as instituições que realmente controlam a nossa vida, e tal como disse Guerra Junqueiro, em 1886, o povo vive imbecilizado e resignado, "humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas..."

Existem 374 milhões de cidadãos europeus, contudo ainda não existe uma verdadeira Europa. Amanha acontecerá um dos poucos momentos em que o povo pode dizer não as políticas desumanas; dizer não a deturpação dos ideais europeus por esta nova geração de políticos controlados de poder económico.

Amanhã é dia de votar em Branco.

Há 20 anos da Revolta da Praça de Tian'anmen



O Massacre da Praça de Tian'anmen, ocorreu há 20 anos, no dia 4 de Junho de 1989 em Pequim, precisamente nesse local ironicamente designado - em português - de Praça da Paz Celestial; ainda a maior do planeta.

Curiosamente este ultimo facto indico-o por mero vício, e de forma muito pouco reflectida, não sabendo até que ponto é substancial no assunto. De todo o modo digo-o, ou melhor escrevo-o porque pensei em tal automaticamente, mas não de forma totalmente consciente.

Pergunto-me se o tamanho da dita praça altera a minha ideia dos acontecimentos de então, e que a marcaram, a ela - praça - e a mim precisamente sobre aquele espaço.

A
escala dos acontecimentos, ou então do acontecimento na escala do momento, ou do momento numa dada escala mental, física, territorial, etc. O que me leva a pensar curiosamente no que se trata uma nação. Hoje, ontem, amanha, essa coisa a que tão comummente chamamos nação?

É claro que uma grande maioria dos portugueses estará hoje mais entretido em ouvir alguns políticos imbecis, sobre um não menos imbecil parlamento europeu, que também é um espaço grande para la caber tanta imbecilidade proveniente de tanta nação; ou então interessada no próximo jogo de futebol da selecção nacional, do que propriamente relembrar Tian'anmen, ou questionar a pouco auspiciosa "nação".

Talvez seja uma boa pergunta, ou até mesmo inútil; não sabendo bem onde quero chegar ou mesmo o que digo, consulto em acto de fé o dicionário e eis que uma outra ironia, surge, um dos significados para "escala" é precisamente o "saque de praça tomada por assalto".

Os dicionários estão repletos destas coisas interessantes que desconheço totalmente, coisas que se dizem e não se sabe de todo até que ponto as dizemos, até procurar o significado daquilo que escrevemos, mesmo.

Mas voltando a revolta, o massacre de Tian'anmen aconteceu no seguimento de grandes manifestações lideradas por estudantes Chineses, que ocorreram entre os dias 15 de Abril e 4 de Junho de 1989, dia em que o Exército Popular de Libertação acabou do modo mais agressivo com a mobilização deste chineses sedentos de mudança. Reparem mais uma vez na ironia o Exercito de Libertação liberta uma praça com cerca de cem mil protestantes, espezinhando-os e matando um número largo, nunca divulgado (possivelmente 2 600 mortes).

Mas afinal o que significa Liberdade? O dicionário fala desta coisa como a condição do homem e/ou de uma nação em proceder segundo vontade própria, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem; mas não fala de todo em morte, em repressão, em corrupção, em imbecilidade. Muito menos em resignação.

Há 20 anos e, na época criança, não me apercebia de todo do que se tratavam todas aquelas imagens confusas que passavam na TV, o que não me impediu no entanto de cravar na minha memoria aqueles segundos de não resignação. Milhares protestavam pacificamente, em Pequim, pelas reformas económicas insuficientes e lentas que levaram a inflação, ao desemprego e a pobreza na China. Algo ainda tão familiar nos dias que correm.

Os protestos foram ignorados e declarada lei marcial, o que levou os tanques e a infantaria do exército de libertação à praça de Tian'anmen, e as prisões dos líderes do movimento, a morte de centenas de protestantes e a expulsão da imprensa estrangeira.

No dia 5 de Junho, um Homem de saco na mão, sozinho, anónimo entre a grandeza da Praça da Paz Celestial pôs-se à frente de uma fileira de tanques de guerra, momento que o fotógrafo Jeff Widener imortalizou e os média "iconizaram" como "o momento", o resumo final de Tian'anmen.

O momento, deverás arrebatador, poético, é digno de uma epopeia; as imagens têm esse poder, de arrebatar mas também de truncar os acontecimentos. Assim mesmo há quem se questione sobre o homem, um ilustre revoltado desconhecido, que fez parar os tanques de guerra; mas assim não o será de todo real, pois quem travou mesmo foi o piloto, soldado que provavelmente numa réstia de humanismo e de remorsos por algo que poderia vir a sentir, frenou.

Há quem se questione sobre quem era o homem solitário que parou, o que levava no saco, que circunstância limite o levaram a confrontar um tanque... Mas ninguém pensa no homem que também parou o colosso de aço, o que até então apenas seguia.

Na realidade dois homens pararam naquele momento, e essa, é a lição que guardo desta revolta e deste momento, é nessa possibilidade que ainda acredito... e guardo esperança em perceber o que é uma nação.


Metro do Porto: Estudo confirma preços demasiado elevados.


Texto e Hugo Silva in "JN":


"A tarifa média da Metro do Porto (55 cêntimos) é idêntica à dos transportes públicos de Londres (56) e muito superior à de Metro de Lisboa (38) e Carris (31) - conclusões de uma análise de João Marrana, perito em transportes.

Os dados dizem respeito a 2007 e resultam do cruzamento das receitas de bilheteira das diferentes empresas com o número de passageiros transportes. João Marrana, professor na Universidade Portucalense e actual assessor da Comissão Executiva da Empresa do Metro do Porto, avaliou 11 operadoras de transportes de seis países europeus e publicou as conclusões no seu blogue pessoal allwaysmoving.blogspot.com.

"O valor obtido permite avaliar o esforço financeiro dos clientes para suportarem custos das tarifas dos transportes públicos", indica o especialista.

Tendo em conta que "o poder de compra difere bastante" nos diversos países, o também ex-administrador da STCP teve a preocupação de fazer um ajustamento dos valores, levando em consideração o Produto Interno Bruto per capita (PIBpc). Os valores portugueses foram tomados como referência, explica no texto do blogue o especialista, que fez parte da TIP - Transportes Intermodais do Porto e que esteve na origem do sistema andante.

Verificou-se que, em média, os transportes de Londres são os mais caros para os passageiros, tal como o metro do Porto. Também a STCP apresentou uma tarifa média mais elevada (43 cêntimos) do que as operadoras de Lisboa.

Na Bélgica, as duas empresas avaliadas ficaram-se pelos 27 e 33 cêntimos. Também em Milão (Itália), o preço médio dos bilhetes foi de 33 cêntimos, enquanto em Bilbao (Espanha) foi de 41 cêntimos, em Paris (França) foi de 42 e em Madrid (Espanha) foi de 48.

"Os valores das empresas belgas consideradas são particularmente baixas, mesmo sem o facto de correcção do respectivo poder de compra. Inversamente, em Londres os valores são bastante elevados", regista João Marrana.

A explicação para preços mais baixos, como acontece na Bélgica, residirá na forte componente de apoio estatal das empresas. Nesse contexto, a tarifa cobrada aos clientes diminui.

"As empresas portuguesas têm valores muito diferentes, o que poderá estar associado a diferentes metodologias de estimativa dos clientes", salvaguarda professor universitário.

Uma das razões que poderá contribuir para o elevado preço registado pela Empresa do Metro do Porto pode prender-se com o facto deste sistema ter viagens muito longas, como é o caso da actual Linha da Póvoa.

Recorde-se, contudo, conforme foi já noticiado pelo JN, que os apoios anuais do Estado à Metro do Porto e à STCP têm sido insuficientes para cobrir os custos do serviço, designadamente a vertente social, obrigando as empresas a recorrer à banca para prosseguir em actividade."


Fonte:
"Metro cobra tanto como transportes de Londres", in Jornal Notícias [Por Hugo Silva], Quinta-feira, 3 de Junho de 2009,
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Porto&Option=Interior&content_id=1252820
[consultado em 2009-06-03].

"Tejo e tudo o que resta". Um texto de Miguel Sousa Tavares


Texto de Miguel Sousa Tavares:

"Começo por me reportar ao excelente texto da Clara Ferreira Alves, no último número da revista Única, acerca da construção da sede da Fundação Champalimaud, em cima do Tejo, em Pedrouços. Eu próprio já aqui tinha aflorado o assunto duas ou três vezes, como exemplo último do saque do rio à nossa cidade. Na altura, fui convidado para almoçar, através de um amigo comum, com um simpatiquíssimo administrador da Fundação, que me explicou que a localização privilegiada se justificava pela necessidade de atrair para Portugal cérebros renomados na área da investigação médica - e eles, muito compreensivelmente, gostam de trabalhar com o rio aos pés. A explicação não me convenceu muito e eu voltei ao assunto e voltei a ser convidado para novo almoço, a que já não fui: nem mesmo um salmonete de Sesimbra e um Pêra Manca podem contrariar a realidade que ali está a nascer - 60.000 metros quadrados de construção, alguns 200, 300 metros de frente de rio roubados à cidade e... em terrenos públicos.

Aliás, e com todo o respeito que sempre tive pela presidente da Fundação, Leonor Beleza, eu acho que ela traiu a vontade do fundador. António Champalimaud foi dos raríssimos portugueses que fizeram uma Fundação, não para se glorificar em vida, mas para doar post mortem, não para fugir ao fisco ou sacar património ao Estado, mas para dar: deu 500 milhões de euros para a investigação do cancro. Berardo fez uma Fundação que, depois de ter ocupado um edifício municipal em Sintra, passou a ocupar a totalidade da área de exposições do CCB; Saramago fez outra que, em troca da perenidade do culto da sua pessoa e de umas vagas conferências, sacou a Casa dos Bicos. Champalimaud não quis sacar, quis dar. Mas, infelizmente, a sua executora testamentária, não pensou igual: Leonor Beleza começou por perder uma eternidade de tempo a tentar que a deixassem construir a sede da Fundação no Guincho, em terrenos vedados à construção da Área de Paisagem Protegida. Como o não conseguiu, virou-se para a beira-Tejo e convenceu a Câmara de Lisboa a suspender o PDM para autorizar aquilo. Esta figura jurídica da suspensão do PDM é, aliás, o retrato fiel de como funciona o país: fazem-se excelentes leis e excelentes planos para tentar limitar o deboche urbanístico, mas, depois, há sempre uns casos excepcionais, para os quais, e movendo as devidas influências, se consegue suspender o PDM, aprovar o projecto que se quer e que o contrariava, e depois repor o PDM em vigor para a arraia miúda. Faz-me lembrar o Albarran, quando suspendia a carteira profissional de jornalista para fazer publicidade (vedada aos jornalistas pelo estatuto e código deontológico), e, uma vez gravado o anúncio, pedia a carteira de volta e 'regressava' ao jornalismo. É o nosso mal, e o nosso mal a todos os níveis: seríamos um excelente país e um excelente povo, se não fossem as excepções: a possibilidade de se suspender os bons princípios, a moral e os valores apregoados, para satisfazer uma necessidade passageira e logo a seguir retomar o discurso dos valores.

Foi assim também que, à beira-rio, se autorizou o recentemente inaugurado Hotel Altis. Pergunto-me com que autoridade e com que argumentos poderá amanhã a CML indeferir pedidos de hotel para o mesmo local? Foi assim - e aqui sem intervenção da CML e apenas por vontade do Governo e do Porto de Lisboa - que se construiu aquele monstro do Observatório Europeu Contra a Droga, que irá lançar o caos no trânsito da zona do Cais do Sodré e roubou já uma extensa área de vistas sobre o rio no centro da cidade (será que os senhores observadores precisam de ver os navios de perto para avaliarem se trazem droga a bordo?). Foi assim também que, no uso das suas prerrogativas de dona do Tejo, a APL lançou mãos à construção do novo terminal de navios de cruzeiro de Santa Apolónia - cujo projecto inicial, entretanto abandonado por demasiado imbecil e escandaloso, previa igualmente um hotel e um centro comercial em cima do rio. E foi assim que se chegou ao impúdico negócio da expansão do terminal de Contentores de Alcântara, negociado entre a APL e a Mota Engil/Liscont.

Há anos que mantenho uma guerra, já pessoal, com os senhores da APL, a quem chamo o 'inimigo público nº 1 de Lisboa'. Começou com o defunto POZOR, um plano de urbanização através do qual a APL se propunha construir em cima do rio nada menos do que um milhão de metros quadrados de edifícios de habitação e escritórios. Aquela gente, escudada na facilidade de dispor de dinheiros que não lhes saem do bolso, chegou a comprar páginas inteiras de jornal para publicarem comunicados contra a minha pessoa. E, há um ano, na sequência de um debate público sobre o Terminal de Passageiros de Santa Apolónia, quando lhes chamei "associação de malfeitores" (não no sentido criminal, mas no sentido cívico de quem só faz malfeitorias à cidade), puseram-me uma queixa-crime em cima: para vergonha deles, perderam na primeira instância e perderem na Relação, o que revela muito sobre a ideia que deles também os tribunais fazem.

Em Novembro passado, quando consegui finalmente ler o contrato celebrado entre a APL e a Liscont para ocupar com contentores toda a frente de rio do actual e histórico Terminal de Passageiros de Alcântara, tive vergonha de ser português. Vergonha de ser cidadão de um Estado que dispõe tão escandalosamente do património público a benefício de um negócio privado. Qualquer pessoa que queira perder uns minutos a pensar no assunto, facilmente chega à conclusão que o que faria sentido seria os contentores em Santa Apolónia e os paquetes de passageiros em Alcântara - onde sempre estiveram e fazem parte da paisagem adquirida da cidade e das suas memórias históricas. Em Santa Apolónia, os contentores estão geograficamente muito mais próximos das suas vias de escoamento normais, sejam férreas, rodoviárias ou fluviais; poupava-se o custo de fazer um novo terminal de passageiros e poupavam-se os 540 milhões de euros que a Refer, a CML e o MOP vão gastar para arranjar uma solução para o problema criado com o contrato celebrado entre a APL e a Liscont. Porque não fazem, então? Por uma razão indecorosamente simples: porque em Santa Apolónia houve um concurso público para adjudicação da área de descarga dos contentores e a Liscont, que ganhou a fatia de leão, tem de pagar três vezes mais pela ocupação do espaço do que paga em Alcântara - onde obteve a adjudicação directa e duas prorrogações sucessivas, a preço político e sem concorrência. Tão simples como isto. Tão vergonhoso quanto isto. Em trinta anos a olhar para aqui, já vi muita negociata, muita escandaleira: igual a esta, nenhuma outra. O Tribunal de Contas já a denunciou, sem apelo.

Agora, que a notícia já foi tornada pública, posso confirmar que, de facto, a CML e o movimento cívico contra os contentores de Alcântara, de que sou co-fundador e dirigente ('Lisboa, Tejo e Tudo', de um poema de Pessoa), têm andado a 'partir pedra' em várias reuniões para tentar chegar a uma solução que não implique mais um assalto ao rio. Julgo que António Costa é sincero na sua intenção de travar a demência da APL. Da nossa parte, as condições para baixar armas são simples: nem um metro quadrado mais roubado à frente de rio com contentores; nem mais um camião TIR a passar ali; a praça central destinada a uso e lazer públicos; e as Docas a funcionarem todo o tempo que durarem as obras. Mas, mesmo que isto seja conseguido - e com isso se extinguiria o objectivo do nosso movimento - restam as obras faraónicas, inúteis e injustificáveis que serão feitas a montante e que já não é assunto nosso. Mas é bom que os portugueses saibam que tais obras só serão levadas a cabo e ao custo de 540 milhões de dinheiros públicos, para que o Estado honre o contrato celebrado entre a APL e a Liscont - negociado parte a parte entre dois renomados escritórios da advocacia de negócios que tantas malfeitorias também têm trazido a este país. (E ainda acham que o louco é o bastonário da Ordem dos Advogados, quando denuncia este indecente tráfico de influências!)

Pessoalmente, já começo a ficar cansado de certas guerras que nunca verdadeiramente se ganham. Se os lisboetas gostam tanto de Lisboa como dizem, acreditem que já não há muito mais a defender e que as próximas autárquicas serão uma das últimas oportunidades para o fazerem. Vamos exigir a todas as listas, todos os partidos e candidatos que jurem publicamente que ninguém mais nos roubará um metro do rio que é nosso."


Fonte:
"Tejo e tudo o que resta", in Jornal Expresso [Por Miguel Sousa Tavares], Segunda-feira, 25 de Mai de 2009,
http://aeiou.expresso.pt/tejo-e-tudo-o-que-resta=f516370
[consultado em 2009-05-30].


LEGO - ARCHITECTURE. Frank Lloyd Wright



A LEGO ®,
e Adam Reed Tucker of Brickstructures, Inc., com a sua mais recente linha "Architecture" criada em 2008, lançou no mercado para os amantes mais fervorosos das construções e da arquitectura conjuntos alusivos a obra de Frank Lloyd Wright; preparando-se no entanto para fazer o mesmo com outras obras de outros arquitectos.

Actualmente a linha é composta por seis edifícios, incluindo duas obras de Frank Lloyd Wright ,o Museu Solomon R. Guggenheim e a casa "Fallingwater", incluindo para além do puzzel e dos folhetos de instruções, material histórico e fotografias de cada edifício.

Para o "Natal" quero Saint Pierre, Firminy, de Le Corbusier, ou então La Tourette.

Veja mais em:

http://www.lego.com/en-US/architecture/default.aspx?domainredir=lego.com
http://www.franklloydwright.org/Home.html

Imagens:
Copyright LEGO, Brickstructures and the Frank Lloyd Wright Foundation


Nova Times Square, sem carros todo o ano





Já era usual e interessante ver a Times Square em New York, por ocasiões festivas, ser "tomada" pelos peões, que de um modo natural ocupavam e transformavam um espaço desenhado originalmente para a circulação automóvel, numa zona livre de carros.

Pois bem, agora andar ao longo da Broadway será bem mais fácil, e os peões não terão que aguardar pela passagem de ano; a administração da cidade pôs em prática um plano para reduzir "o congestionamento do tráfego em "Midtown", fechando duas secções da Broadway aos veículos, a partir das ruas 47-42 e 35-33."

Esta nova utilização da Times Square passou pela ideia de eliminar o tráfego nas avenidas vizinhas...


Fonte: "No Vehicles, but Plenty of People on Broadway", in NY Times [Por DAVID W. DUNLAP], 24 Maio 2009,
http://www.nytimes.com/2009/05/25/nyregion/25bway.html?_r=1
[consultado em 2009-05-26].


Fotografia:
Hiroko Masuike for The New York Times,
http://www.nytimes.com/slideshow/2009/05/25/nyregion/0525-BROADWAY_7.html


Coisas Alheias...


"Sabemos bem que toda a obra tem que ser imperfeita, e que a menos segura das nossas contemplações estéticas será à daquilo que escrevemos. Mas imperfeito é tudo, nem há poente tão belo que o não pudesse ser mais, ou brisa leve que nos de sono que não pudesse dar-nos um sono mais calmo ainda. E assim, contempladores iguais das montanhas e das estátuas, gozando os dias como os livros, sonhando tudo, sobretudo, para o converter na nossa intima substância, faremos também descrições e analises, que, uma vez feitas, passarão a ser coisas alheias, que podemos gozar como se viessem na tarde..."

Fernando Pessoa

Piada do dia: "Parque transparente de oito andares na escarpa de Gaia"


Segundo o Jornal de Notícias:

"Um parque de estacionamento com oito pisos e 227 lugares, vedado por uma malha metálica transparente [aqui está piada], vai nascer na escarpa junto à ponte D. Luís I, em Gaia, dentro de um ano e deverá ter ligação ao metro por elevador.

Quatro novos parques públicos que vão nascer até meados do próximo ano foram, ontem, apresentados pela Autarquia, pelo arquitecto Alcino Soutinho e pela empresa concessionária, ao pormenor. O investimento totaliza os 13 milhões de euros. Destes, 4,6 milhões são para o parque que abrirá em Maio de 2010, junto à ponte, no gaveto entre as ruas Cabo Simão e General Torres.

Será possível ver através da malha metálica que reveste o edifício. A circulação no silo far-se-á em sentido único, num sistema de rampa contínua: a entrada é por baixo, pela Rua General Torres, e a saída por cima, na Calçada da Serra. Depois, entre esta via e o Jardim do Morro, será estudada uma ligação por elevador que permita ao cliente aceder facilmente ao metro. E o teleférico também ficará perto. Ao lado do local onde nascerá o edifício, há uma casa em ruínas que será recuperada.

Alcino Soutinho contou que foi um projecto complexo, que mereceu dúvidas do Igespar. A "procura será alta", tal como o investimento, destacou Pedro Carvalho, administrador da ParqueGil, que promete preços acessíveis. A concessão dos parques é por 50 anos e de superfície por 20.

Novidade é também o silo de três pisos no Centro Histórico, de 106 lugares, através da reutilização de um armazém devoluto. Abre até Novembro deste ano, com um custo de 1,6 milhões de euros. Terá a particularidade de funcionar em regime "vallet parking", ou seja, o estacionamento é feito pelo operador. Em suma, chega-se e entrega-se a chave, existindo uma sala de espera. O acesso aos pisos será por elevador e os carros sairão pela Rua Cândido dos Reis.

O parque do Centro Cívico, cujas obras obrigaram a fechar a rua da Câmara (Álvares Cabral), será subterrâneo. Abrirá em Março de 2010, com três pisos e 265 lugares. Do lado da Avenida da República, ficará a entrada principal e, do lado de General Torres, a entrada secundária e a saída. Este projecto caracteriza-se pela criação de uma área ajardinada com seis mil metros quadrados, onde poderá nascer uma cafetaria. Aqui, optou-se por um parque sem pilares. E a construção é mais cara: 6,7 mihões de euros.

Porque a rua será pedonal, em Julho abre uma nova artéria com quatro vias. Está a ser construída a 200 metros dali, entre General Torres (agora de dois sentidos) e a Avenida da República. Além disso, a Câmara promete dar "mais dignidade" aos paços do concelho e serviços (ler texto ao lado).

O quarto parque é o de Soares dos Reis (100 mil euros), também previsto para Março. Ao actual estacionamento serão acrescentados 20 lugares, totalizando os 58.

À medida que forem abrindo os parques, garantiu Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara, serão colocados parquímetros no exterior. "Mas os moradores poderão estacionar livremente". Também o perfil das ruas será alterado para retirar estacionamento. Além disso, adiantou que haverá mais três parquesa concurso dentro de dois meses: na Rua Marquês Sá da Bandeira, zona comercial, "debaixo da Rua de Angola" e "onde ficam as Águas de Gaia" (Rua 14 de Outubro)."


Fonte:
"Parque transparente de oito andares na escarpa", in Jornal Notícias [Por Carla Soares], 22 Maio 2009,
http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Porto&Concelho=Vila%20Nova%20de%20Gaia&Option=Interior&content_id=1240395
[consultado em 2009-05-22].

Prémio Melhor Cartaz das Legislativas

Ideologias à parte, o movimento liderado por Manuel Monteiro, ex-dirigente do CDS-PP e do Partido da Nova Democracia (PND), e conhecido como ‘Missão Minho’ começou a afixar os cartazes com a mensagem "A Luta Começou", focando directamente o combate a um sistema corrupto, mafioso e poderoso.

Manuel Monteiro que vai concorrer às próximas legislativas pelo distrito de Braga, pelo Movimento ‘Missão Minho’, já ganhou pelo menos o prémio para o cartaz mais claro da actualidade.

Enquanto os restantes políticos e Partidos romantizam as eleições Europeias, divertindo-se com slogans e imagens que só "aparvalham" os portugueses - enquanto uns enriquecem à sombra da pobreza de outros -, eis que do lixo emerge algo identificável e claro: um polvo envolvendo com os seus tentáculos o "ambiente", combustíveis, câmaras, urbanismo, futebol, partidos, bancos, água e energia.

Uma alegoria ao estado mafioso a que chegaram as instituições e o sistema que nos governa e monopoliza, como todos sabemos, o bem comum.
Este cartaz é a prova que os partidos políticos, actualmente garantes de uma democracia doente, podem ser confrontados, com movimentos civis, com campanhas terrenas e honestas. E com impacto.

Relatório preliminar do Tribunal de Contas não reconhece Interesse Público no alargamento do Terminal de contentores de Alcântara - Lisboa


"As conclusões preliminares do Tribunal de Contas (TC) sobre o contrato que permitiu o alargamento da concessão do
terminal de contentores Alcântara por mais 27 anos à empresa Liscont (grupo Mota-Engil), sem concurso público, caíram como uma bomba no Governo e na Administração do Porto de Lisboa (APL).

O relatório preliminar da auditoria a este contrato – enviado pelo TC ao Ministério da Obras Públicas e à APL há cerca de um mês, para esclarecimentos e cumprimento do contraditório – lança sérias dúvidas sobre todo o processo, soube o SOL.

Nesta primeira análise, o Tribunal de Contas considera que não foi salvaguardado o interesse do Estado, uma vez que não foi realizado o concurso público para o novo prazo da concessão da exploração do terminal. Segundo as informações recolhidas pelo SOL, o Tribunal analisou também as projecções do negócio dos contentores feitas no contrato assinado entre a APL e a Liscont – as quais fundamentam o alargamento da concessão, como uma contrapartida para o investimento feito por esta empresa. E põe a hipótese, no documento enviado à APL e ao Governo, de essas projecções não serem realistas, considerando mesmo, soube o SOL, que pode estar em causa a viabilidade do negócio."

Saiba mais AQUI.

Fonte:
"Tribunal de Contas ‘arrasa’ terminal de contentores", in Jornal Sol [Por Graça Rosendo], 16 Maio 2009,
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=135149 [consultado em 2009-05-16].

Imagem via GoogleEarth


Portugal a saque. Medina Carreira




Este vídeo, com uma entrevista ao fiscalista e político português Henrique Medina Carreira, é dedicado aos políticos portugueses, e a todos aqueles que ainda não acordaram para a crise política e preparam-se para votar novamente nos mesmos personagens de sempre.

Veja mais AQUI.

REVOGAÇÃO DO DECRETO 73/73


Segundo o sitio onine da Ordem dos Arquitectos foi "aprovada, pela Comissão de Obras Públicas da Assembleia da República, a Lei que estabelece a qualificação profissional exigível aos técnicos responsáveis pela elaboração e subscrição de projectos, designadamente de Arquitectura, bem como fiscalização e direcção de obra, e que implica a revogação expressa e definitiva do famigerado Decreto 73/73.

A Ordem dos Arquitectos congratula-se por esta aprovação em sede de especialidade do Parlamento, que se espera confirmada já na próxima sexta-feira, no plenário da Assembleia da República.
Sem prejuízo de posterior tomada de posição pública, a Ordem dos Arquitectos manifesta o seguinte:

1.
Com a revogação do Decreto 73/73, conclui-se um longo caminho em defesa do interesse público para o pleno reconhecimento do direito à Arquitectura e ao exercício profissional dos arquitectos que, desde 1973, envolveu sucessivas gerações de arquitectos e muitos milhares de cidadãos, nomeadamente no âmbito da recente Iniciativa Legislativa de Cidadãos em 2005.

2.
Com a aprovação do novo texto da Lei, na sequência de duas Propostas Globais de Alterações formuladas pela Ordem dos Arquitectos e pela Ordem dos Engenheiros em Julho de 2008 e no início deste ano, e acompanhadas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, corrigem-se os aspectos mais lesivos para o exercício profissional dos arquitectos e dos engenheiros contidos na versão original da Lei, aprovada na generalidade em reunião plenária do Parlamento a 3 de Maio de 2007. Simplifica-se e clarifica-se o diploma, redefinindo conceitos técnicos e redefinindo a qualificação dos técnicos para a elaboração de projectos de arquitectura e de engenharia, bem como para a direcção e fiscalização de obras, e garante-se, no que respeita à Arquitectura e aos arquitectos, o respeito por todos os actos próprios da profissão consagrados no Estatuto da Ordem dos Arquitectos."

Já o Jornal Público referencia - um aspecto importantíssimo - que "vai haver ainda um período de transição de cinco anos"! Mais um período de transição de cinco anos! Só espero que seja erro do Jornal Público, porque de cinco em cinco anos, ao ritmo que florescem as faculdades privadas de arquitectura - por norma de qualidade extremamente duvidosa, para tal basta por exemplo visitar as instalações de uma qualquer e analisar o respectivo corpo docente e biblioteca por exemplo - estes cinco anos vão se tornar num verdadeiro êxodo, milionário, em direcção a estas mesmas instituições.

E porquê digo isso? Está visto que cinco anos é o tempo certo e preciso para engenheiros, desenhadores e demais técnicos obterem facilmente o curso de arquitectura e entrarem na Ordem dos Arquitectos; ordem relembro que em nada controla a qualidade dos cursos leccionados em Portugal, muito menos a qualidade dos seus constituintes.

Aliás, essa corrida pelo "canudo" já começou e relembro, os mais distraídos, que existem cursos administrados em "barracos", em locais inexplicáveis - como Vila Nova de Cerveira - e leccionados unicamente em regime matinal, diurno ou nocturno... completamente à vontade do freguês.

A bem ou a mau, o curso que frequentei e, por norma reflecte a realidade das faculdades públicas, tinha e ainda tem enormes lacunas curriculares e administrativas, contudo teve uma estrutura teórica e técnica muito sólida, durou 6 anos, nos quais precisei de manhãs, tardes, noites, e muitas madrugadas para o concluir (aceito eventuais explicações para este milagre da divisão).

É certo que a notícia da revogação do decreto 73/73 me apraz, e muito, contudo é preciso ter em conta que esta não significa automaticamente que Portugal tornar-se-á um lugar santificado para a Arquitectura, imune a desgraça dos desenhadores e demais técnicos "infiltrados". Não se entusiasmem demasiado. Primeiro há cada vez mais, no nosso país, arquitectos com qualificações duvidosas - e nesse aspecto não excluo a minha pessoa -, e é preciso ter coragem para o dizer em voz alta; há em Portugal muitos e maus Arquitectos, e muitos mais a formarem-se neste preciso momento em escolas duvidosas, e quanto a isto nem esta revogação nos salva.

Há demasiados "desenhadores encartados" e para o constatar basta olhar para a paisagem à nossa volta, e ir contando a quantidade de "mutantes soutomorizados", que de uma forma ou outra, pontilham as nossas paisagens. Ou pior, a quantidade de grandes empreendimentos que dilaceram o País, com o pretexto de serem Projectos de Interesse Nacional... Esses também são desenhados por arquitectos, tal como os hotéis do Algarve que destruíram e destroem escarpas, dunas e mais ecossistemas frágeis; ou os mega empreendimentos imobiliários que destroem os ambiente urbanos, veja-se o caso de Braga, da frente ribeirinha do Porto, das zonas limítrofes de Lisboa; os empreendimentos de média escala que surgem por entre pequenas localidade e mais recentemente aquilo a que chamo os empreendimentos dos arquitectos 3d-dependentes, com certeza saberão ao que me refiro - eles estão por todo o lado.

Espero que está revogação não acabe por aqui, porque há ainda muito a fazer e a exigir... de nós próprios, arquitectos em especial.

Cubeecraft, um brinquedo para imprimir, cortar e dobrar.



Cubeecraft é um sitio online que disponibiliza o download gratuito de planos para a elaboração de divertidos brinquedos de papel.

Na sua construção não é necessária fita adesiva ou cola. Para fazer download basta fazer clique sobre o modelo mais do seu agrado no seguinte Link para salvar o modelo/imagem; ou então criar um personalizado.

Cada brinquedo é concebido para ser impresso em uma folha de papel A4. Basta imprimir, cortar e dobrar para criar um destes curiosos e divertido personagens.

E por que não apostar em alguns brinquedos destes, personalizados com os rostos de alguns políticos portugueses... Fariam parte, com certeza, dos melhores elementos da subcategoria "terror", ou "ficção científica".


Veja mais em:
http://www.cubeecraft.com/genre/originals/


Remodelação da Praça do Comércio, Lisboa. Arq. Bruno Soares.

Foi apresentado, esta quarta-feira, à autarquia lisboeta o projecto de remodelação da Praça do Comércio, da Sociedade Frente Tejo, realizado pelo arquitecto Bruno Soares.

Não é preciso ser vidente para prever novos e conturbados episódios de uma boa novela à portuguesa com certeza, que será, já se sabe, longa.
Ou não fossem todos os portugueses treinadores de futebol, farmacêuticos e arquitectos, com opiniões fortes e por vezes até mesmo duras que nem pedra.

Agora é só esperar que isto vá a consideração popular - algo que dá sempre muitos frutos, não para o projecto em si mas para os furos televisivos - e deixar um cantinho de paciência para as manifestações, abaixo-assinados, aberturas do noticiário, etc, etc...

Fanatismos populares à parte, pelo 3d apresentado, na passada quarta-feira, já se pode constatar que o projecto não saí da linha estética que normalmente persegue as intervenções de desenho urbano, do género, em Portugal.

Intervenções que normalmente não se atrevem a passar disso mesmo de desenho do chão, abstracto, em certos casos pobre, com poucas considerações práticas e por isso mesmo rapidamente alterados. Veja-se o caso do jardim da Cordoaria no Porto; a Praça da Cadeia da Relação, de Francisco Barata; a marginal de Matosinhos, de Eduardo Souto Moura ou então a marginal de Leça da Palmeira de Álvaro Siza. Intervenções abstractas e demasiado pobres para nomes tão sonantes.

A Praça do Comércio é, tal como estes anteriores locais eram e ainda são, um local disfuncional, uma parte no tecido urbano da baixa Lisboeta que há muito se esfumou nas amarras das suas origens, ficando assim mesmo inoperante, estéril. Servindo hoje para pouco mais do que local de venda de haxixe, e cenário para o postal turístico, de alguns que se atrevem a lá ir apanhar sol , pó e perderem-se na imensidão de um não-lugar.

Para tal realidade, muito contribuem os edifícios institucionais que rodeiam o espaço, que em boa semelhança com os políticos e magistrados portugueses, nem fazem nem deixam fazer. Se fizermos o exercício de imaginar tais espaços repletos de esplanadas, restaurantes e comercio tudo seria diferente. Veja-se o caso da Praça/Mercado Djemaa el Fna, na cidade marroquina de Marrakech. Pavimentada com um material "pobre" e sem grande desenho, é um local fascinante e com um frenesim delicioso de observar, no qual contagiosamente se participa.

Voltando a Praça do Comércio; a intervenção apresentada, parece colada a recente e excelente intervenção no Mosteiro de Alcobaça e área envolvente realizada pelo arquitecto Gonçalo Byrne. Uma linha de intervenção que me parece muito interessante e forte mas contudo, neste caso, com naturais problemas de transposição para a escala "imperial", de uma plataforma quadrangular imensa.

Considerações à parte, deixo em aberto a critica final, esperando que o 3d mude, em alguns aspectos de desenho e, que principalmente, tenha mais gente. Pois, seria sinal que também se teria considerado um novo programa de usos para a envolvente construída, com a fomentação do comércio, restauração, etc.

Por vezes o segredo passa por voltar atrás, sem vergonha ou individualismos exacerbados.


Saiba mais em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Djemaa_el_Fna

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_do_Com%C3%A9rcio


Nova Lei dos Empreendimentos Turísticos.

Aprovada recentemente em Conselho de Ministros, a nova legislação - revisão da lei - dos empreendimentos turísticos eliminará 10 das actuais categorias, desaparecendo tipologias como as estalagens, motéis, pensões, hospedarias e albergarias, tal como denominações como casas de turismo rural ou de aldeia, centros de acolhimento e casas-retiro.

De 21 categorias passaram a existir apenas 11, e os proprietários têm agora um prazo de dois anos proceder a conversão para uma das novas categoria que passam a existir, tal como hotel-apartamento, empreendimento turístico no espaço rural, aldeamentos ou apartamentos turísticos, por exemplo.

Caso os proprietários não estejam interessados nestas novas denominações podem sempre podem optar por ingressar numa nova sub-categoria - modalidade - denominada "Alojamento Local", que visa integrar formalmente na rede nacional o circuito paralelo de camas. Isto claro com o devido cumprimento dos novos requisitos físicos - infra-estruturas, higiene e segurança, e qualitativos - referentes aos serviços prestados, para classificar cada unidade, entre uma e cinco estrelas.

Fotografia de Francisco do Vale

Ring House,Tokyo 2008. Arq. Takei-Nabeshima




Saiba mais em:
http://www.tna-arch.com/

 
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